quinta-feira, março 01, 2007

Depois falam dos Chineses

A votação da Interrupção Voluntária da Gravidez por decisão da mulher já foi há algum tempo, e continuo sem ter uma ideia completamente moldada e estanque sobre o assunto. Embora muito boa gente tenha muito a criticar sobre os argumentos utilizados por qualquer uma das partes, como, que as mulheres estão contra elas próprias ao dizerem que não, e que as pessoas são cínicas que já fizeram e dizem que não, que o aborto é igual a terrorismo and soon and soon.
Aproveito, no entanto, para dividir o seguinte pensamento:
Para as pessoas mais distraídas, ficam a saber que por apenas 100€ (que por acaso não sei se são comparticipados) podem saber às 8 semanas de gravidez se é menino ou menina. Como o aborto é até às 10 semanas... isso quer dizer que depois de saber que é uma menina posso dirigir-me a uma Clínica/Hospital pedir para fazer um aborto porque eu queria um menino
?

segunda-feira, janeiro 22, 2007

O Tempo Urge

Hoje, não há sorrisos para distribuir,
Hoje não há paixão que possa vencer,
Hoje não há perdão para merecer.

Hoje apenas há angustia, tristeza e melancolia,
Hoje apenas há o desejo que passe depressa o dia.
Há a esperança que seja tudo um erro,
Talvez quem sabe, uma cobardia.

Mas, que se aperceba, que avança,
Que tire o engano, que desfaça o erro,
Que me dê um pouco mais de esperança.

E este dia, seja uma breve memória, desvanecida,
Uma ameaça de morte, já desaparecida.

quarta-feira, novembro 29, 2006













Sofremos os dois dos mesmos conceitos abstractos
Que só preenchem o espaço vazio porque não temos mais em que pensar
Deixamos a conversa fluir de uma maneira oca e inexperiente
Falamos de tempos idos não vividos
Embora creemos os dois que tudo o que sentimos foi real
Choramos as lágrimas dum futuro que se afasta
Não porque não o queiramos viver, mas porque o queremos demais

Foram tempos sentidos numa escuridão excitante
Em que beijamos nossos corpos despidos num fulgor
Foi amor, foi tristeza, foi o desespero da solidão
Que abraçamos os dois no momento final

E agora que nos despedimos com um leve aceno
Não quero saber para onde vais
Fingimos os dois preocupação e saudade
Quando afinal sabemos que cada um suspira
Em silencio um alivio ensurdecedor

Então adeus meu passado, meu presente, meu futuro
Adeus para sempre
Que sei porque partes
Porque não podes ficar
Sei que sufoco o teu ser
Com nervos e anseios construídos
Com perseguições demolidoras
Sei que partes por que não queres simplesmente ficar
Deixas-me sozinha mais uma vez
Com o meu pesadelo protector

Chegou a hora de te abraçar

E afinal as lágrimas correm num desespero sentido
Que não sabia que existia
Afinal morro por dentro com tanta força
Como aquela que sempre te quis matar
Descobri que sempre te amei
Nas loucuras destrutivas que avassalei a tua vida
O teu e meu pesadelo foi amarmo-nos os dois

Afinal, amano-nos os dois….

segunda-feira, novembro 20, 2006

Olham-se

Eles olham-se.


Num olhar penetrante, um olhar intenso, daqueles olhares que outrora não lhe sabiam falar. Eles sorriem sem nunca despregarem os olhos cintilantes um do outro. Existe um cheiro a doces, a gomas de criança e a rebuçados. Olham-se. Com a intensidade de quem trespassa e lê o pensamento mais secreto. Eles tocam-se. E as mãos entrelaçam-se. O coração bate aceleradamente. Olham-se. Sem medo. Com um brilho que é de lágrima que escorre pela face. Finalmente, dão o abraço que sentiram como seria no olhar. Olharam-se e sorriem. Um sorriso de criança inocente que não tem nada a esconder.

Os outros olham-nos porque outrora já foram crianças também.

sábado, outubro 28, 2006

Tudo e Nada

Cansei de esperar pelas promessas que me fazias.
Cansei de te ter longe de mim.
Cansei de viver só para ti.

Será sempre assim, uma vida repleta de nada e de tudo, porque o nada é tudo o que nos preenche…
… é tudo o que fica depois.

Será a ilusão de ter tudo, ou, a ficção de não ter nada?
Será o medo de ter uma mão cheia de sonhos e outra de experiências desabitadas?

Será?

quinta-feira, setembro 28, 2006

O que me passa pela cabeça quando ouço algumas pessoas falar

"Sente-se.Está sentado? Encoste-se tranquilamente na cadeira. Deve sentir-se bem instalado e descontraído. Pode fumar. É importante que me escute com muita atenção. Ouve-me bem? Tenho algo a dizer-lhe que vai interessá-lo.Você é um idiota. Está realmente a escutar-me? Não há pois dúvida alguma de que me ouve com clareza e distinção? Então Repito: você é um idiota. Um idiota.I como Isabel; D como Dinis; outro I como Irene; O como Orlando; T como Teodoro; A como Ana. Idiota. Por favor não me interrompa. Não deve interromper-me. Você é um idiota. Não diga nada. Não venha com evasivas. Você é um idiota. Ponto final. Aliás não sou o único a dizê-lo. A senhora sua mãe já o diz há muito tempo.Você é um idiota. Pergunte pois aos seus parentes. Se você não é um idiota...claro, a você não lho dirão, porque você se tornaria vingativo como todos os idiotas.Mas os que o rodeiam já há muitos dias e anos sabem que você é um idiota. É típico que você o negue. Isso mesmo: é típico que o Idiota negue que o é.Oh, como se torna difícil convencer um idiota de que é um Idiota.É francamente fatigante.Como vê, preciso de dizer mais uma vez que você é um Idiota e no entanto não é desinteressante para você saber o que você é e no entanto é uma desvantagem para você não saber o que toda a gente sabe. Ah sim, acha você que tem exactamente as mesmas ideias do seu parceiro.Mas também ele é um idiota.Faça favor, não se console a dizer que há outros Idiotas: Você é um Idiota. De resto isso não é grave.É assim que você consegue chegar aos 80 anos. Em matéria de negócios é mesmo uma vantagem. E então na política! Não há dinheiro que o pague.Na qualidade de Idiota você não precisa de se preocupar com mais nada.E você é Idiota."

Brecht

sexta-feira, agosto 11, 2006

Sem Ti

O despertador toca, estico o braço, a cama vazia.
A tua almofada continua ao lado da minha. Com o teu cheiro.
Ainda não tive coragem de a pôr para lavar.
Levanto-me, reparo no espaço vazio ao lado da minha escova de dentes… é inevitável não reparar nos indícios da tua ausência.
Tomo banho sozinha.
Não tenho a tua presença quando vou para o trabalho, nem, a tua companhia quando volto. Almoço sem ti e passo a tarde na solidão da casa escura.

E chega mais uma noite em que adormeço sobre a cama, com a cabeça naquela que era a tua almofada. Por breves momentos, é como se ainda ali estivesses, o teu corpo sobre a minha cama e o teu abraço antes de adormecer.

Tudo indica que já cá não estás, mas, todos os meus gestos são como se a tua presença continuasse a ser uma constante na minha vida.